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Estereótipos da França em “Emily em Paris”


Não tem como falar de França ou da língua francesa sem pensar em Paris, não é mesmo? Tanto por ter sido palco de incontáveis eventos históricos, políticos, artísticos e sociais a Cidade Luz se tornou referência e é constantemente associada com clichês culturais. E a série da Netflix “Emily em Paris” não economizou em estereótipos da França.


*Aviso! Este texto contém spoilers. *


Resumo rápido da história para quem ainda não conhece o contexto da série: Emily Cooper, protagonizada por Lily Collins, uma jovem executiva de marketing recebe uma proposta inesperada (e dos sonhos, convenhamos) de trabalhar em Paris. Dessa introdução que nós partimos.


Já na chegada da personagem na Cidade Luz, o visual dos monumentos, parques, restaurantes e confeitarias com suas mesinhas na calçada são amplamente explorados da série. O que não poderia ser diferente, mas pasme! Não há praticamente ninguém nas ruas (os moradores deveriam estar em lockdown, só pode).


Este é um detalhe que incomoda na série por duas razões. A primeira é devido a relevância turística desses locais e Paris ser uma cidade densamente povoada, dificilmente esses locais não estariam abarrotados de gente.


O segundo ponto está no fato de praticamente toda a história se centrar nestes ambientes. Como se a personagem não precisasse passar em mais lugar algum da cidade, como se sua vivência de Paris estivesse totalmente resumida a estes locais tipicamente turísticos.


Agora, uma questão que fez com que a série tivesse uma repercussão muito negativa na França foi sobre como a série lança mão de estereótipos, seja pela língua, forma de ser ou personalidade dos personagens, para criar comparações sempre muito pejorativas da cultura francesa.


Como por exemplo, Emily basicamente vive a base de croissant e vinho, os outros personagens têm personalidades blasé, arrogantes e preguiçosas. Também é muito comum ver pessoas usando boinas e fumando cigarros o tempo todo.


Além disso, existe uma marca forte sobre a questão da sexualidade na França, como se affaires e ménages fossem amplamente comuns, e os homens franceses vivessem para flertar e seduzir.


Tanto que existe uma longa lista de artigos e vídeos de pessoas nativas falando justamente como a escolha por escrever personagens dessa foram é totalmente generalizante, refletindo a ignorância cultural do autor sobre a realidade não só do país com da capital em si.


Apesar disso, para aqueles que querem assistir algo, com diálogos divertidos, rever belos cenários de Paris e apreciar os figurinos, a série é, no geral, leve de assistir. Mas já avisamos de antemão que para aqueles que querem distrair a cabeça, o tom carregado dos estereótipos podem incomodar e deixar a experiência com a série bem desagradável.

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